Título: Casamento... Ou Miragem?
Autor: Alexandra Scott
Título original: Desert wedding
Dados da Edição: Editora Nova Cultural 1997
Publição original: 1995Género: Romance contemprâneoDigitalização e correção: NinaEstado da Obra: Corrigida
Uma terrível descoberta!
Geórgia Maitland se escondeu no Oriente Médio para fugir do passado. E pensou ter encontrado seu futuro nos braços de Nathan Trehearn. Porém, a lua-de-mel ainda não havia terminado quando descobriu a cruel realidade do passado de Nathan: uma mulher charmosa, que se autodenominava "a sra. Trehearn". Seu casamento no deserto havia sido uma miragem ou uma farsa
CAPITULO I
Após meia hora à beira da piscina, Geórgia sentia-se exausta e indolente. O calor era insuportável, mesmo à sombra das palmeiras.
Foi um alívio quando entrou no bar do clube, e a intensidade do brilho do sol foi consideravelmente diminuída por vidros fume. Além disso, o ambiente com ar-condicionado e o murmurinho da água de uma fonte interna proporcionaram-lhe uma agradável sensação. Seus olhos ainda não haviam se adaptado à semi-escuridão, quando um homem baixo a cumprimentou. A figura pareceu-lhe vagamente familiar.
— Srta. Maitland? Geórgia? — Diante de seu olhar surpreso, ele se apresentou: — Sou Grev Canning. Fomos apresentados na casa dos Kimberley, lembra-se?
— Oh, claro! Desculpe-me, não consigo focalizar nada.Minha vista ainda não se adaptou a esta escuridão.
— Realmente, isso leva algum tempo. Que tal um drinque para ajudar? Algo bem gelado e refrescante?
— Obrigada, Grev, mas eu já estava de saída. Na verdade, só entrei para pedir um táxi.
— Ora, enquanto espera, poderia muito bem me acompanhar num drinque! Então, aceita?
E por que não?, Geórgia pensou. Afinal de contas, não estava com tanta pressa assim.
Tudo bem — concordou, sentando-se numa poltrona de couro verde. — Eu gostaria de um suco de laranja natural com bastante gelo, por favor. E, enquanto Grev fazia o pedido, o senso artístico de Geórgia não pôde deixar de analisar o garçom que os atendia: um árabe muito alto e magro, usando uma túnica comprida de algodão cru e um turbante vermelho de veludo, colocado de lado sobre os cabelos negros como ébano. Como tudo naquele país, ele também exibia o ar exótico que a encantava! Então, Grev se esparramou na poltrona ao lado dela.
— Você nadou? — ele perguntou, iniciando a conversa.
— Infelizmente, não. Minha intenção era essa, mas criaria problemas. Sabe como são os árabes...
— Bem, no início é sempre um choque. Somos alertados sobre os costumes, no entanto nada nos prepara para o que realmente encontramos. Não se preocupe, acabará se acostumando.
Ele acendeu um cigarro e, entre longas baforadas nervosas, não parava de falar, contando sobre seu trabalho no porto. Geórgia o ouvia, distraída. Sua atenção estava mais voltada para as pessoas dispersas pelo imenso salão. Todas desconhecidas, com exceção de um homem em meio ao grupo próximo à janela...
Ela franziu o cenho, tentando se lembrar de onde o conhecia. O rosto lhe parecia familiar.
Absolutamente distraída, não percebeu quando uma mulher de postura agressiva cruzou a porta de vidro do clube e, sem dar tempo ao porteiro de ajudá-la, marchou na direção deles.
O olhar apreensivo de Grev e o súbito movimento para se levantar alertaram Geórgia. Instintivamente, virou-se para trás e viu a mulher fitando-os, enfurecida. Tinha cabelos ruivos e vestia uma bermuda folgada e uma camiseta absolutamente fora de moda.
Adiantando-se, a recém-chegada segurou possessivamente o braço de Grev, obrigando-o a sentar-se de novo.
— Greville, não vai me apresentar à moça? — a mulher indagou, com voz estridente e tom de desconfiança.
— Cia... Claro, amor. Esta é Geórgia Maitland. Lembra-se dela na casa dos Kimberley?
— Lembro-me perfeitamente de não ter ido à casa dos Kimberley! Você me convenceu a não ir, e só agora estou percebendo o motivo.
Diante da expressão de culpa de Grev, Geórgia indignou-se. Primeiro, porque, odiava ser tomada como cúmplice e depois, a última coisa que desejava era envolver-se em outra briga entre marido e mulher.
Somente o orgulho a impediu de pegar a bolsa e levantar-se. O murmúrio de vozes no salão diminuiu, e os olhares voltaram-se para os três. Morrendo de ódio, Geórgia controlou a irritação. Terminou de tomar o suco e sem pressa levantou-se com um ar de indolência. Grev parecia envergonhado, e a mulher mantinha sua postura desafiante e agressiva.
Apesar de indignada, Geórgia sorriu, procurando falar com voz melodiosa:
— Deixe-me ver.,. Hum... A senhora deve ser a mulher de Greville! Acertei?
— Acertou e é melhor lembrar-se disso, mocinha.
— Claro. — Apesar da raiva, Geórgia continuava a agir de maneira fria e afetada, ciente de que o trio chamava a atenção do salão inteiro. — Na verdade, todos os presentes irão se lembrar de sua recomendação. Quanto a mim, pode ficar com seu... — A expressão de humilhação estampada no rosto de Grev a impediu de continuar. Mas a mulher merecia uma lição. — Oh, Grev, obrigada pelo suco delicioso! Foi muita gentileza sua, e a conversa estava ótima, querido.
De queixo erguido e rebolando, Geórgia caminhou por entre as mesas até a recepção, torcendo para que ninguém notasse o tremor em suas mãos, as faces em fogo e os olhos rasos d'água.
— Por favor, chame um táxi para mim — pediu à moça da recepção.
— Cancele o táxi — um homem ordenou atrás dela.Geórgia se virou de súbito e encarou o intruso, com fúria.Ele deu de ombros.
— Também estou de saída e vou para a mesma direção que você, senhorita...
Ela hesitou. Aquela encenação não a convenceu. Ele devia saber seu nome ou quem ela era, pois também tinha a sensação de já o ter visto em algum lugar.
— Srta. Maitland, não é?
— Ora, mas que esperto!
Ignorando seu sarcasmo, ele se virou para a moça do balcão.
— Não precisa chamar o táxi. Estou indo para o mesmo lugar que a srta. Maitlând.
Com naturalidade, segurou o cotovelo de Geórgia e a conduziu para a saída. Assim que transpuseram a porta, ela puxou o braço, sentindo-o queimar com o toque.
— O que o faz pensar que a srta. Maitlând pretende ir para o mesmo lugar que o senhor?
Ele sorriu, com malícia, antes de responder:
— Moramos no mesmo bloco de apartamentos.Naquele momento, Geórgia se lembrou de que já o vira no saguão do prédio onde alugara um apartamento.
— Ainda assim, isso não lhe dá o...
— Não, claro. Mas poderíamos colocar um pouco mais de lenha na fogueira que se formou lá dentro. Seria uma pena privar todas aquelas pessoas de um pouco de especulação sobre o assunto, não acha? E, depois, acredito que gostaria de sair daqui o mais rápido possível, e apoio moral é sempre bem-vindo.
— Não necessito de apoio algum, especialmente moral. E, se acaso...
— Precisasse, eu seria o último homem a quem você recorreria — ele a interrompeu e concluiu a frase.
— Eu não ia dizer isso.
Apesar de irritada, Geórgia teve vontade de rir. Que situação mais estúpida! O que mais a intrigava era sua própria passividade diante da gentileza implacável daquele homem, conduzindo-a para o estacionamento do clube.
— Bem, eu ia dizer que, se precisasse de apoio moral, jamais pediria a um homem.
— Hum...
Ele estalou os dedos para chamar a atenção do garagista, e em instantes uma limusine parava à frente deles. Quando Geórgia deu por si, cruzavam os imponentes portões do clube, ladeados de palmeiras, e enfrentavam a loucura do tráfego do centro de Raqat.
Distraída com a vista e os sons exóticos, ela nem percebeu quando chegaram ao apartamento que ocupava havia duas semanas.
— Muito obrigada, sr...
Qual seria o nome dele? Que estranho ainda não o ter perguntado!
— Meu nome é Nathan Trehearn. — Ele sorriu, enquanto estacionava o carro sob uma sombra. — Muitoprazer, srta. Maitlând.
— Nathan! Bem que notei seu sotaque, só podia ser americano!
— Fui pego em flagrante delito!
— Oh, sinto muito... — Ela riu, já caminhando ao lado dele em direção ao apartamento. —Não queria ser grosseira.
— Não se preocupe, sou apenas meio culpado. Minha mãe é inglesa, e passei alguns anos na Inglaterra.
— Desculpe-me, fiquei abalada por causa daquele episó dio tolo lá no clube. Estou cansada de homens casados que...
— Posso entendê-la.
Geórgia entrou no elevador, lembrando-se do vexame pelo qual passara. Precisou se controlar para não chorar. Na verdade, Nathan não entendera nada. Ninguém podia compreender sua humilhação, muito menos um homem...
— Não, você nunca poderá me entender — ela sussurrou.Felizmente, o elevador parou, e Geórgia saiu, apressada, estancando de repente.
— Ora, mas este não é meu andar!
De novo, sentiu no braço o toque de Nathan, responsável pelo arrepio estranho que percorreu sua espinha.
— Tem razão, este é meu andar — ele explicou. — Como somos vizinhos, pensei que seria uma boa ideia oferecer-lhe uma xícara de café.
Não! — Ela se soltou com brusquidão. — Obrigada, mas não estou de bom humor.
Ele abriu os braços num gesto entre divertido e exasperado.
— Tudo bem. Não vou forçá-la.
Como a porta estava aberta, Geórgia viu de relance uma pessoa limpando a sala, e hesitou. Pelo menos não estaria sozinha no apartamento de um estranho. Percebendo sua indecisão, Nathan a encaminhou para dentro.
O hall de entrada era revestido de mármore branco, e a sala... Geórgia prendeu a respiração. Espaçosa e fresca terminava em arcos suaves, deixando entrever uma sacada, onde palmeiras, hibiscos e primaveras floridas enchiam o ar com a fragrância de suas flores. Era maravilhosa e de bom gosto, um deleite para seu senso artístico.
A simplicidade e a quietude agiram como calmante para seu espírito agitado. Sofás forrados de seda crua e paredes brancas convidavam ao relaxamento. Dois vasos enormes de cerâmica oriental, revestidos de mosaico azul-escuro e branco, davam o único toque colorido ao ambiente.
O olhar de Geórgia foi atraído para um nicho, onde viu uma cabeça humana entalhada em pedra polida preta. Com certeza, tratava-se de uma antiguidade egípcia, cujos traços captavam com extraordinária perfeição a arrogância que vira em muitos nativos.
Intrigada com a beleza da obra de arte, Geórgia deu um passo à frente. Nesse instante, ela viu a imagem de Nathan refle tida no espelho. Em pé, atrás dela, ele a encarava.
Fingindo admirar a estátua, ela passou a examinar seu anfitrião, tentando ser objetiva. Era alto e magro, mas emanava poder. Talvez devido à autoconfiança. Não era exata-mente bonito, com exceção dos olhos cinzentos de brilho incomum, emoldurados por cílios longos e negros. Jamais vira olhos tão lindos!
De repente, ela se deu conta de sua indiscrição. Observava-o de modo atrevido, e ele notara. Rubra de vergonha, fingiu ajeitar seu colar de contas de âmbar enquanto afastava do rosto uma mecha de cabelos.
— Que sala agradável! Há quanto tempo mora aqui, Nathan?
— Um ano e meio. — Ele lhe indicou o sofá e sentou-se numa cadeira diante dela. — Bem, eu lhe prometi algo para beber. Gostaria de café, gim-tônica ou suco? Que tal comermos também? A esta hora gosto de um sanduíche.
...
victordiasmax